Uma série inédita de obras da série Modos de Olhar e uma nova obra Modos de Anunciar expande nosso olhar sobre o legado de Debret e a história das mães pretas em sua obra, e também em outros documentos do período em que Debret esteve no Brasil, de 1816 a 1830.

As obras fazem parte da exposição ‘Debret em questão – olhares contemporâneos’ inaugurada em 24 de novembro no Museu do Ipiranga – USP, com curadoria de Gabriela Longman e Jacques Leenhardt. A série “Modos de Olhar” teve sua primeira montagem em 2016 na nossa primeira exposição, e se debruça sobre a iconografia que naturalizou o olhar colonial sobre o Brasil, a partir do olhar estrangeiro de artistas-viajantes como Debret. Neste olhar, o protagonismo das mulheres e mães negras – as amas de leite ou ‘mães pretas’, cujo leite era verdadeira mercadoria e sustentáculo da sociedade escravocrata – aparece em segundo plano. Nosso gesto artístico consiste em trazê-las ao primeiro plano através de objetos posicionados sobre as pranchas de Debret de forma a direcionar o olhar para elas, e sua importância na formação da sociedade brasileira através dos séculos até o dia de hoje.

As novas obras da série, realizadas especialmente para a exposição, revela pistas da breve passagem de Debret por São Paulo, e, na obras Modos de Anunciar, trazemos páginas de jornais de época em que anúncios de aluguel e venda de amas-de-leite aparecem lado-a-lado a a anúncios e artigos sobre Debret em relação á sua atuação como pintor da corte durante o processo de independência em 1822 ou em relação á Academia de Belas Artes, que ele ajudou a fundar no início do século 19.

A exposição é um desdobramento do livro ‘Rever Debret’ de Jacques Leenhardt, publicado em 2023, do qual também participamos; e já havia sido apresentada este ano numa versão menor na Maison de l’Amerique Latine, em Paris, França, com curadoria de Leenhardt e de Gabriela Longman.

Fazem parte da exposição uma seção histórica que conta com gravuras originais de Debret em diálogo com uma diversidade de artistas brasileiros como Anna Bella Geiger, Bruno Weilemann Belo, Cássio Vasconcellos, Claudia Hersz, Dalton Paula, Denilson Baniwa, Eustáquio Neves, Gê Viana, Heberth Sobral, Jaime Lauriano, Laercio Redondo, Livia Melzi, Marcel Gautherot, Rosana Paulino, Sandra Gamarra, Tiago Gualberto, Tiago Sant’Ana, Val Souza e Valerio Ricci Montani.

A exposição fica em cartaz até 15 de maio de 2026.