Exposições

Galeria Monique Paton – Rio de Janeiro – 2015

Galeria Monique Paton – Rio de Janeiro – 2015

Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea – Rio de Janeiro – 2016

Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea – Rio de Janeiro – 2016

Palácio das Artes – Belo Horizonte – 2017

Palácio das Artes – Belo Horizonte – 2017

Histórico

Mãe Preta é um projeto de pesquisa artística de longa duração da dupla de artistas Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa.

A primeira etapa da pesquisa começou com o convite do artista plástico e curador Osvaldo Carvalho para criarem um trabalho para a exposição coletiva Crossover, em 2015, na Galeria Monique Paton, situada na Rua do Rosário 38, centro do Rio de Janeiro, local muito próximo ao primeiro mercado de escravos instalado na cidade.

Uma das pinturas que adornam a porta da galeria e que retrata uma mulher escravizada carregando um bebê nas costas à moda africana, tornou-se o ponto de partida da pesquisa. Após pesquisarmos a origem da imagem, constatamos que a pintura era a cópia de um fragmento da litogravura “Negras do Rio do Janeiro”, do artista alemão Johann Moritz Rugendas, e fez parte no livro Voyage pittoresque dans le Brésil (Viagem pitoresca através do Brasil), publicado na França em forma de fascículos entre 1827 e 1835. “Mãe Preta” era o nome dado às escravas cujo trabalho era ser amas-de-leite e cuidadoras dos filhos dos senhores brancos na época da escravidão, em detrimento aos cuidados dos seus próprios filhos. 

A busca pela imagem original tornou-se o mote da pesquisa. As artistas reinterpretaram a pintura desta mãe negra com fotografias, video e uma instalação site-specific. No trabalho, as artistas retratam um modelo masculino e simulam as vestimentas e a pose da escrava na imagem encontrada na porta da galeria como forma de pôr em questão a representação da figura materna na época da escravidão em relação a questões atuais sobre etnia, sexualidade e gênero.

Em seguida, foram convidadas por Marco Antonio Teobaldo, curador da galeria de arte contemporânea localizada no Instituto de Pesquisa e Memórias Pretos Novos, no Rio de Janeiro, para desenvolverem uma exposição a partir da questão local: um campo santo onde milhares de africanos escravizados e mortos logo após o desembarque no Cais do Valango, foram jogados à flor da terra, sem um enterro digno e que respeitasse seus rituais de morte.

Hoje, o projeto vem se desenvolvendo com diversas exposições em diferentes cidades brasileiras, e em cada cidade é adicionado um novo elemento da história das mães pretas ou do leite negro para ampliar o elo da questão com uma questão brasileira mais ampla. O projeto também participa de conferências e eventos internacionais onde as questões da exposição são discutidas em contextos de estudos os-coloniais, ativismo, anti-racismo, e feminismo nas artes e nas mídias. 

O projeto conta com três exposições realizadas, duas na zona central e portuária do Rio de Janeiro e uma em Belo Horizonte, itinerando para São Paulo e São Luís em 2018. O projeto é vencedor de vários prêmios, entre eles o Rio Cidade Olímpica em 2016 e Conexão Funarte em 2017.