Mãe Preta

Palácio das Artes
Fundação Clóvis Salgado
Belo Horizonte, MG
de 12/05 a 13/08 de 2017

Buscando mostrar a importância da mulher negra para a formação social brasileira, as pesquisadoras e artistas Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa organizaram a exposição MãePreta, que ressignifica arquivos do período da escravidão para contar uma outra versão da história, na qual as negras escravizadas são protagonistas.

Dividida em oito séries, a exposição contemplada pelo Edital de Ocupação de Artes Visuaisda FCS, ocupa a Galeria Arlinda Corrêa Lima no Palácio das Artes em Belo Horizonte, MG, entre os dias 12 de maio e 13 de agosto de 2017.

O foco é uma das histórias mais dolorosas da humanidade: a das mães pretas, as amas de leite geradas pela escravidão por necessidade do leite materno, alimento imprescindível para a sobrevivência dos bebês da Casa Grande. Se por um lado essa necessidade gerou relações afetuosas entre os bebês brancos e as amas negras, por outro privou as mães negras do contato e do zelo com os seus próprios filhos. 

As instalações, colagens e intervenções em gravuras e fotografias de importantes nomes como Marc Ferrez, Debret, Rugendas e Henschel, Guillobel, artistas viajantes e precursores da fotografia. Cada um desses recortes busca uma ressignificação da maneira pela qual a mulher negra foi, e é, representada na sociedade e evidencia que a história nada mais é do que uma construção, feita por aqueles que detêm o poder. 

Em conjunto, as séries convidam para um percurso sobre as possibilidades de compreensão da mulher-negra-mãe, na sociedade brasileira desde a diáspora africana até a atualidade.

Modos de Navegar  – Intervenção feita em um mapa mundi que pontua a relação de dependência entre a América do Sul e a Àfrica ao unir os rios São Francisco e Niger por meio de uma fita de möbius. 

Modos de revelar – Expõe um scan ainda sem tratamento de uma das imagens mais icônicas de Marc Ferrez e serve como metáfora para todas as imagens e histórias negras que, ao longo dos anos, ficaram confinadas às memórias individuais. 

Modos de Olhar – Destaca a posição materna da mulher negra na sociedade colonial por meio de intervenções em imagens de importantes gravuristas e fotográfos. Nesse contexto, por exemplo, uma guia de Oxun, orixá ligada às águas e à fertilidade, é usada para destacar uma mulher negra que carrega o filho pela rua, ao mesmo tempo que diamantes e vidros são usados para ocultar o rosto de colonizadores. 

Modos de reportar – Eram recorrentes em jornais e revistas, a venda e aluguel de escravizados nas principais cidades da colônia. A pesquisa confirma a banalização desse assunto na época ao apresentar anúncios de venda e aluguel de amas de leite ao lado do anúncios de vendas de galinhas. 

Vênus de Gamboa – Ressignificação da foto de uma mulher escravizada, possivelmente a primeira grávida, feita por August Stahl, por encomenda de Louis Agassiz, um dos prinicpais defensores do racismo científico no século XIX, com o objetivo de justicar o racismo e a eugenia. As artistas intervêm na imagem incluindo conchas, objeto muito significativo para a ancestralidade negra, utilizado em rituais, e fazendo uma alusão à obra Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli.

Modos de Fala e Escuta –  Movimento para a contemporaneidade, constitui o trabalho central da exposição. A partir de uma video-instalação, com entrevistas de mulheres negras e mães, são revelados os problemas que as mulheres negras ainda enfrentam, entre eles o racismo e a violência. 

Modos de Recordar – Mural das Heroínas – Destaca as heroínas negras com fotos e biografias, de Anastácia à Sueli Carneiro. Ao todo, são 16 mulheres de um recorte de 250 heroínas.