Modos de Reportar

A imprensa no Rio de Janeiro no século 19 era prolífera e a vida da cidade colonial, que era também o maior porto de escravos da América, encontra-se bem documentada. Entre anúncios de chegadas de navios, folhetins e notícias da coroa portuguesa, encontram-se também dezenas de classificados anunciando toda sorte de serviços, inclusive o de amas de leite para aluguel.

Sendo o leite negro o alimento mais precioso para a primeira vida da colônia, este era disputado entre as famílias brancas. No entanto, quem cuidava dos filhos das amas de leite, posto que para obter leite materno era necessário gerar uma vida?

Ainda não há pesquisa que possa nos afirmar com certeza o paradeiro de muitos filhos de mulheres escravizadas. No entanto, existem, nos jornais da época, relatos sobre orfanatos que existiam na cidade, com crianças que eram depostas na roda dos enjeitados, uma espécie de porta na frente das igrejas onde eram depositados os bebês não desejados, entre eles filhos bastardos e também filhos de escravos. Os orfanatos eram lugares de extrema miséria, eles também necessitando de cuidados de leite materno para conter a altíssima mortalidade infantil na época.

A página de jornal de 1838 reproduzida nesta obra , acompanhada de uma lupa para leitura mais próxima, relata a construção de um novo orfanato no Rio de Janeiro visando melhores condições de sobrevivência aos recém-nascidos indesejados da colônia, com números e relatos que dão uma boa idéia da condição de vida dos mais pobres nesta época.